Em 1917, na Rússia, a sociedade vivia uma onda revolucionário - de cunho comunista e anarquista -, a qual culminou na derrubada da monarquia czarista do país. Foi nessa atmosfera que as trabalhadoras do setor de tecelagem, no dia 08 de março, entraram em greve para reivindicaram seus direitos e contaram com a ajuda dos operários metalúrgicos. O episódio foi marcado como um prenúncio da Revolução Bolchevique e a data entrou para a história como um grande feito das operárias.
Em 1975, a Organização das Nações Unidas, a ONU, oficializou o Dia Internacional da Mulher na data de 8 de março. Nesse dia são fomentadas ações voltadaa para o combate das desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo.
Baeada nessa luta e memória do ativismo femenino, a Dando a Letra trás cinco autoras periféricas que vêm fazendo a diferença na literatura marginal brasileira para você conhecer. Confira:
Lu Ain-Zaila
Lu Ain-Zaila, peseudônimo de Luciene Marcelino Ernesto, se especializou em ficção científica e literatura fantástica. A autora é formada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sua primeira publicação foi em 2007 com o conto O Caminho Sankofa de Nande, na revista Eparrei (Casa de Cultura da Mulher Negra). Em 2015, Lu Ain-Zaila visitou a Bienal do Livro do Rio de Janeiro e notou que não haviam livros que lhe causavam identificação e assim decidiu-se por criar uma história de ficção científica semi-distópica, surgindo assim a Duologia Brasil 2408, composta por dois romances (In) Verdades, de 2016 e (R) Evolução, de 2017. Os livros foram lançados de forma independente e sua história gira em torno de Ena, uma heroína negra que combate a corrupção nesse Brasil futuristico.
No ano de 2018, Lu Ain-Zaila lança um projeto de financiamento coletivo no site Benfeitoria, para o livro Sankofia: breves histórias afrofuturistas, o qual contém contos que vão do afrofuturismo ao sword and soul,ou seja, uma variante afrocêntrica do subgênero sword and sorcery, protagonizada por personagens negros. Em 2019, Luciene publiva Iségún e chegando em 2022, a autora lançou uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse de Sankofia 2.0.
Dinha Maria Nilda
Dinha Maria Nilda, nasceu em dezembro de 1978, na cidade cearense de Milagres como Maria Nilda de Carvalho Mota. Dinha veio pequeninha para São Paulo e sua família se instalou no Parque Bristol com com sua mãe, pai e os sete irmãos. A gorato começou a escrever aos 12 anos, onde fez seus primeiros poemas. No ano de 1999 Maria Nilda entra no curso de Letras da USP e participa da Fundação do Poder e Revolução – um grupo de pessoas jovens e adultas que hoje administram o Maloca Espaço Cultural, local onde funciona a Biblioteca Comunitária Livro-Pra-Quê-Te-Quero, e que busca meios de fomentar o desenvolvimento político, econômico, social e cultural dos bairros Parque Bristol, Jardim São Savério, Vila Liviero, Caraguatá e adjacências.
Dinha se especializou na publicação de fanzines de poesia, resultados de angústias dos tempos infelizes que viveu. A reunião desses zines gerou o livro De Passagem, Mas Não a Passeio. Dinha hoje educadora, professora da rede pública municipal de ensino e mestranda da área de Estudos Comparados de Literaturas de língua Portuguesa.
Nina Rizzi
Nascida em Campinas, Nina viveu sua infância em Ribeirão Preto, é historiadora, editora, poeta, professora e tradutora. Historiadora, editora, poeta e tradutora. Sua formação em História se deu pela UNESP. A autora desenvolveu diversas pesquisas junto ao MST – Movimento dos Sem Terra – nas áreas de História, Cultura e Educação. Nina Rizzi mantém um blog pessoal, onde disponibiliza acesso às suas obras e trabalha como editora na revista Ellenismos.
Em 2012 Rizzi publicou seu primeiro livro: Tambores pra N’zinga. No ano seguinte, como poeta, publica Caderno-Goiabada, Uma Prosa-Ensaística nas páginas da Revista Ellenismos. Ainda em 2013, Nina estreia como tradutora com a obra Habitante do Nada, da argentina Susana Thénon. Em 2014 a autora pública o poema a Duração do Deserto e em 2016 o poema Geografia dos Ossos. Em 2015 publica o poema baseado na obra de Romério Rômulo: ¡Ah, si yo fuera Maradona!. Em 2017 Nina publica mais dois poemas Quando Vieres Ver Um Banzo Cor de Fogo e Sereia no Copo D'água.
Lilia Guerra
Em 2018, Lilia Guerra lança o livro de contos Perifobia - pela Editora Patuá - e é finalista do Prêmio Rio de Literatura no ano de 2019. Nessa obra, como o título sugere, Guerra narra sobre o medo que as pessoas têm sobre a periferia e seus personagens. Em 2021 publica, pela editora Patuá, a obra Rua do Larguinho e Outros Descaminhos onde um bairro inteiro em um personagem e narra o vai e vem de seus moradores, revelando as marcas e o protagonismo de inúmeras mulheres que habitam o local.
Elizandra Souza
Nascida na periferia de São Paulo, Elizandra se cresceu em Nova Soure, no interior da Bahia. Aos treze anos de idade tem contato com a cultura Hip Hop ao retornar à terras paulistas. Souza cria o fanzine de poesia intitulado Mjiba, o qual teve circulação de 2001 a 2005. Os Saraus da Cooperifa passam a ser um local de frequente convivio para Elizandra, isso no ano de 2004. Em seguida participou do jornal de caratér experimental Becos e Vielas, com o intuito de jogar holofotes na cultura periférica. Em 2006 a autora ingressa na graduação de jornalismo e recebe convite da organização Ação Educativa para escrever a Agenda Cultural da Periferia.
Foi através de seus diários pessoais que Elizandra Souza pegou gosto pela escrita, juntou isso à descoberta de sua identidade afro-brasileira, que ocorreu em 2001 através do espaço político-cultural do Coletivo Mjiba em Ação. Em 2012 publicou o livro Águas da Cabaça, que tem como caracteristica toda a produção e edição feita por jovens mulheres negras. Em 2020 publicou, pela Mjiba, a obra Filha do Fogo: Doze Contos de Amor e Cura e em 2021 lançou o livro Quem Pode Acalmar Esse Redemoinho de Ser Mulher Preta?, também pela editora Mjiba. Além disso, Elizandra é coautora do livro de poesias Punga, com Akins Kintê, lançado em 2007, e tem participação em revistas e antologias literárias como: Literatura Marginal – Ato 3, Cadernos Negros, Negrafias, entre outras.
Bônus - Carolina Maria de Jesus
Certamente você já ouviu falar de Corolina Maria de Jesus e sua obra mais famosa, o romance Quarte de Despejo: Diário de uma Favelada. A autora caiu na graça da classe acadêmica após seu texto ser chancelado por especialistas da literatura nacional. No entanto, a vida desse mulher nunca foi fácil, ainda mais quando passou a carregar a alcunha de escritora. Aos 33 anos, Maria estava grávida e desempregada e grávida. Ela saí de seu estado, Minas Gerais, para a Terra da Goroa. Em São Paulo, passa a viver na favela do Canindé, na zona norte da capital. Carolina trabalhou como como catadora de papel e sempre que podia registrava o dia-a-dia da periferia nos cadernos que encontrava nos lixões. Foi dessa forma que surgiu a obra Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada
Com tiragem de 10 mil exemplares, o livro foi publicado no ano de 1960 e se esgotou em uma semana. Desde que foi publicado, Quarto de despejo vendeu mais de um milhão de exemplares e foi traduzido para catorze línguas, tornando-se um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior. Carlina Maria de Jesus teve que lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização. A autora relatou que muitos dos moradores da favela chegaram a jogar, nela e em seus três filhos, os conteúdos de seus penicos. Carolina definiu a favela como "tétrica", "recanto dos vencidos" e "depósito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola".






