O Hip Hop é a cultura que engloba dança, música e artes plásticas e é baseada nos quatro elementos DJ, MC, Break e Graffiti. Além desses pilares, outras formas de manifestação artística, esportiva ou literária se aproximaram da cultura. No campo literário, a chamada literatura marginal se popularizou no seio do Hip Hop através de autores como Ferrez e vários outros, além de poetas como Sérgio Vaz e escritores do cotidiano como Alessandro Buzo.
A palavra "marginal" é utilizada para designar obras e autores que estão à margem da sociedade, ou seja, que de alguma forma distanciam-se das publicações comerciais das editoras convencionais e buscam em seu texto uma oposição às tendências literárias pasteurizadas e dominantes. Apesar de não existir uma definição oficial para o termo, a literatura Hip Hop é aquela oriunda da cultura e que se alinha os conceitos do movimento e seus elementos, podendo ser de qualquer gênero literario como poesia, crônica, romance, biografias ou pesquisas.
Com isso o Hip Hop brasileiro proporciona uma literatura diversificada e interessante, temos livros biográficos como "Pergunte a Quem Conhece: Thaide" (Cesar Alves, 2004), "Triunfo - Do Sertão ao Hip Hop" (Gilberto Yoshinaga, 2014), “Sabotage – Um Bom Lugar” (Toni C, 2013) e "Assim Que É - A História do RZO" (Jeff Ferreira, 2021), outros de poesias e letras como "Poucas Palavras" (Renan Inquérito, 2012), “Thaide: 30 Anos Mandando a Letra” (Gilberto Yoshinaga, 2016), “A Rima Denuncia” (GOG, 2010), de contos, crônicas e romance como “Capão Pecado” (Ferréz, 2000), “Histórias, Registros e Escritos” (Paulo Brazil, 2021) e “O Filho da Empregada” (Alessandro Buzo, 2017), além de obras de entrevistas com artistas do movimento como “Resenha do Rap” (Gagui IDV, 2018) e “Hip Hop: Dentro do Movimento” (Alessandro Buzo, 2010) e as obras de pesquisas feitas ou não em universidades, como por exemplo: “Se Liga no Som – As Transformações do Rap no Brasil” (Ricardo Teperman, 2015) ou “30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua” (Jeff Ferreira, 2018).
Esses são apenas alguns exemplos da literatura Hip Hop, de como que a cultura construiu obras literárias baseadas em seu conceito, estética, adeptos e ótica sobre o mundo. Além desses, existem diversos outros livros, trabalhos realizados de norte a sul do país e tantos outros fora do Brasil. Assim como o Hip Hop, uma cultura em movimento, a literatura Hip Hop segue pulsando e a cada dia vem presenteando aqueles que amam a literatura e o movimento, e por consequência esse casamento entre o Hip Hop e a literatura.
Porém, levando em consideração as muitas faces do Hip Hop e que, somente em solo brasileiro, são quatro décadas de história, nossos protagonistas e operários da cultura ainda são pouco retratados no campo literário, principalmente no que diz respeito as biografias. Puxe na memória, quantas biografias do rap nacional você conhece? Isso falando do rap, a expressão mais popular do Hip Hop, pelo menos no Brasil, mas com os outros elementos a ideia é a mesma. Temos uma grande quantidade de livros de pesquisas feitos dentro das universidades, o Hip Hop e a cultura de periferia seguem causando fascínio no meio acadêmico. A literatura Hip Hop necessita de mais autores formados em suas fileiras, é preciso que as testemunhas oculares da história e da transformação da cultura transformem suas vivências em livros. Preservar o passado é uma forma de contribuir com um futuro consciente. Encerro essa mensagem com um apelo aos agentes do Hip Hop: registrem suas memórias, cuidem de seu legado, contem histórias, passem o conhecimento adiante, transmitam ideias e vamo que vamo que o Hip Hop não para!
